Lamentavelmente, José Sócrates já não surpreende, pelo menos no que toca a pressões sobre a comunicação social. Desta vez o alvo foi Mário Crespo. O jornalista afirmou que o seu nome, bem como o de Medina Carreira, fora referenciado numa conversa entre José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e um executivo da SIC como sendo um «problema a resolver». As afirmações foram feitas no artigo de opinião de Mário Crespo para o «Jornal de Notícias», que se recusou a publicá-lo, tendo levado à demissão do jornalista. Muito airosamente, como habitual, o Governo respondeu não se preocupar com «calhandrices». O Sindicato dos Jornalistas já afirmou o apoio a Mário Crespo. Depois de Manuela Moura Guedes, José Eduardo Moniz e José Manuel Fernandes, o país já não se admira. Um lápis novo veio acabar com o jornalismo livre. É isto que queremos?
O prazo para a resposta às dúvidas quanto à adjudicação do Magalhães à JP Sá Couto levantadas pela Comissão Europeia terminou ontem. O Executivo luso pediu um alargamento do prazo, que foi prolongado até finais de Fevereiro. Tendo o Secretário de Estado das Obras Públicas e das Comunicações, ao tempo da abertura do processo de infracção (em Novembro), afirmado que nove empresas forneceram os computadores, negando assim que tivesse havido contratação directa com a JP Sá Couto, daqui só podemos concluir que as facturas devem andar perdidas...
Os incêndios são sem dúvida um dos flagelos que mais danos causa num território. Estes, adulteram o ecossistema cobrindo a área devastada por um imenso rasto de destruição causando alterações complexas no tecido humano e económico.
Sendo um assunto tão delicado, deveria merecer por parte do Governo uma atenção especial no sentido dos números revelados sobre a extensão da área ardida ser no mínimo credível. Sabendo do gosto deste governo por medidas e dados que revelem a progressão e a eficiente acção do executivo na marcha pelo desenvolvimento de Portugal, atestada na engenhosa capacidade de ficção (digna de um filme de ficção científica) e manipulação dos números... Sempre fantásticos e gloriosos.
Mais uma vez surge uma divergência engenhosa na apresentação dos números...
Segundo dados da Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS, na sigla inglesa), que monitoriza os incêndios por satélite, houve 54 incêndios considerados grandes (isto é, com uma área superior a 100 hectares) entre Janeiro e 15 de Agosto.
Por sua vez, segundo a Autoridade Florestal Nacional, que depende directamente do Governo, houve apenas 31 "grandes incêndios" no mesmo período.
Sabendo dos antecedentes deste governo e da idoneidade do organismo Europeu, estes dados revelados pelo organismo português vão ao encontro da propaganda montada por este executivo...
E há sempre a desculpa que os métodos de cálculo são diferentes.... A mesma área mas com cálculos diferentes..
Um desertifica a Margem Sul, o outro ofende um Deputado em plena Assembleia. É este o Executivo que Sócrates construiu. Rude, com défice de correcção política e muito pouco rigor, o Governo vai-se despedaçando, desintegrando paulatinamente.
Fomos notícia dos jornais do mundo depois da incompreensível e injustificável atitude de Manuel Pinho. Fará parte da estratégia de divulgação do nome do país que Sócrates tem vindo a implementar? Dificilmente…
Agora, além do Magalhães, temos a evocação animal no Parlamento. E é assim que pensam ganhar as legislativas?
Ontem, o nosso Primeiro foi à televisão (tentar) defender a honra do convento e pediu aos portugueses um voto de confiança materializado numa confirmação da maioria absoluta em Outubro. Não conte connosco, Sr. Eng.º…
Questionado sobre os motivos que o legitimavam a pedir o que pedia, o chefe do Executivo adoptou uma estratégia de vagueza e ambiguidade. Uma vez mais, não disse nada.
Mas ainda assim, queremos deixar-lhe uma pequena palavra sobre um tema que nos é particularmente caro: privatizações e nacionalizações de serviços básicos de saúde e educação. Sr. Eng.º… A JSD Cacém alerta: manter (ou colocar) serviços básicos de saúde e educação nas mãos do Estado não significa, como pretendeu, assegurar igualdade de oportunidades aos cidadãos. Olhe-se o Amadora-Sintra, que saiu do grupo Mello pelas mãos de sua Ex.ª. e tem sido o que se vê!
E não foi o seu Governo, Sr. Eng.º, que aprovou uma lei das nacionalizações em anexo a um diploma que decretava uma nacionalização? Quer parecer-nos que sim.
Por isso, Sr. Eng.º, não se reserve o direito à razão. Oiça e pondere, Sr. Eng.º, porque olhe que a Dra. Ferreira Leite sabe escolher bem…
Esta manhã a RTP noticiou a descida do preço dos medicamentos genéricos de cerca de 12%, que permitirá aos utentes uma poupança de 5 milhões de euros, segundo dados do INFARMED.
O problema são as farmárcias, que não sabem como aplicar esta «generosa» medida (haverá certamente utentes que não necessitam, outros para quem ela não chega...), esta «esmola eleitoral» do nosso Executivo, porque a pressa - e Sócrates tem-na, com boas razões para isso - é inimiga da perfeição.
Faz lembrar as disciplinas criadas pelo Eng.º Guterres em 2001... Os pais ficaram encantados por poderem depositar os seus rebentos na escola por mais três horas semanais, os professores não sabiam no que consistia o Estudo Acompanhado.
Não há maneira de entender a ideia peregrina de alargar a escolaridade obrigatória ao 12.º ano/18 anos de idade. Prefere-se a imposição do ensino ao estímulo da aprendizagem, porque este Governo ainda não entendeu que a cultura de um país não se mede em percentagem.
Em Inglaterra e em França a escolaridade obrigatória vai até aos 16 anos de idade e em Itália, na Áustria ou Suíça o 9.º ano é suficiente (talvez o nosso Primeiro se inspire nos exemplos do Togo ou Arménia, onde a escolaridade obrigatória é de 12 anos…). Nem faremos referência ao PIB destes países para não esmorecer a opinião pública.
A aprendizagem não deve ser vista como um dever, mas como um direito dos cidadãos e um benefício para o país. Mas não tem de ser imposta pelo Estado. O gosto e a vontade de conhecimento devem ser fomentados. Não conhecemos todos casos de profissionais (infelizes) de mesteres impostos?
Temos de decidir o que queremos, no fim de contas – um país de doutores ou de cidadãos bem formados, duas realidades totalmente diversas. Por nós, preferimos os segundos.
Muita piada têm tidos estes quatro anos de show off do Eng. José Sócrates.
Em ano de eleições e tempo de balanço do que o país tem vivido, aproveito para contar um episódio que me aconteceu há já uns meses, por altura da divulgação daquela divertida ideia do qualquer coisa 4-18, relacionada com um desconto de 50 % nos passes sociais a estudantes até aos 18 anos com umas cores muito vivas sobre fundo preto.
Com 17 anos ainda, decidi ir à Estação de comboios onde habitualmente carrego o cartão Lisboa Viva para saber o que fazer com vista a beneficiar desta fantástica medida do nosso carinhoso Governo PS.
Chegada à estação, recebo uma curiosa informação: a medida não se aplica a estudantes do Ensino Superior. Aliás, o panfleto afirma-o: «Estudantes dos 4 aos 18 anos (inclusive), que não frequentam o ensino superior (…)». Discriminação positiva, de que tanto se tem falado? Não me parece…
Mas esta exclusão parece-me estupidamente óbvia e ainda hoje me sinto espantada e, de certa forma, algo envergonhada, por ter podido pensar que os estudantes do Ensino Superior beneficiariam desta misericordiosa medida. Verdadeiramente, a despesa que os estudantes universitários causariam ao Governo faria com que, ao comparticipar metade do valor dos nossos passes sociais (e o meu é de 40 €…), este executivo estivesse – onde é que já se viu? – a apoiar verdadeiramente os jovens. Ora, todos sabemos que apoiar os portugueses é coisa que este Governo não fez (e eu, além de portuguesa, sou jovem e, como se não bastasse, estudante do Ensino Superior…).
De qualquer forma, nem mesmo todos os alunos do Ensino Secundário beneficiam desta medida. Leia-se:
Quais os transportes públicos abrangidos?
Todos os transportes públicos colectivos de passageiros, rodoviários e fluviais, a nível nacional bem como os ferroviários urbanos e regionais. Também irão estar abrangidos os transportes urbanos dos municípios que vierem a aderir ao 4_18@escola.tp.
Os transportes municipais que, no interior, são a única opção para a deslocação dos alunos, só estarão abrangidos se o município quiser. Recuso-me a imaginar se, querendo, será o município ou o Governo a comportar as despesas. Toda a gente sabe como são abastados os municípios portugueses...
O publicitado e aclamado apoio parece resumir-se, assim a meia dúzia de trocos que o Governo encontrou e decidiu doar.
E parece isto fazer parte de um pacote de medidas deste executivo para extinguir o Ensino Superior. As dotações orçamentais para as universidades públicas portuguesas foram – digo-o de alma e coração – uma indescritível e inominável vergonha. Talvez façam (mais um) orçamento rectificativo lá para a altura das eleições.